Mercado Imobiliário
É possível financiar 90% de um imóvel? Entenda como funciona
27 de agosto de 2026
Para quem deseja comprar um imóvel sem comprometer uma grande quantia de dinheiro na entrada, o financiamento pode ser uma alternativa. Em determinadas modalidades de crédito imobiliário, o banco pode financiar até 90% do valor de um imóvel.
Isso significa que, em um imóvel de R$ 400 mil, por exemplo, o crédito poderia chegar a R$ 360 mil, enquanto os R$ 40 mil restantes corresponderiam à entrada.
No entanto, esse percentual não é aplicado automaticamente a qualquer comprador ou imóvel. A instituição financeira considera uma série de fatores antes de definir o valor que poderá ser contratado.
Entenda a seguir!
Como funciona o financiamento de 90% de um imóvel?
O percentual financiado representa a parcela do imóvel que será paga pelo banco e quitada pelo comprador ao longo do contrato.
Em uma operação com cota de 90%, a divisão seria:
- 90%: valor financiado;
- 10%: entrada com recursos próprios ou, quando permitido, utilizando o FGTS;
- Demais custos: despesas como ITBI, registro e avaliação devem ser consideradas separadamente.
Veja alguns exemplos:
| Valor do imóvel | Crédito de 90% | Entrada de 10% |
| R$ 300 mil | R$ 270 mil | R$ 30 mil |
| R$ 400 mil | R$ 360 mil | R$ 40 mil |
| R$ 500 mil | R$ 450 mil | R$ 50 mil |
| R$ 600 mil | R$ 540 mil | R$ 60 mil |
Na prática, porém, o cálculo pode mudar depois da análise do banco.
O que define o valor que o banco vai financiar?
A instituição financeira não considera apenas o preço informado pelo vendedor. A aprovação depende de uma combinação de fatores.
Renda e capacidade de pagamento
A parcela precisa ser compatível com a renda do comprador ou da família. Na CAIXA, por exemplo, o comprometimento pode chegar a 30% da renda familiar bruta, conforme as condições da operação.
Isso significa que o valor máximo do imóvel não depende apenas do quanto você tem para dar de entrada. A renda também determina o tamanho da dívida que pode ser assumida.
Avaliação do imóvel
O banco também realiza uma avaliação para determinar o valor do bem que servirá como garantia.
Se um apartamento é negociado por R$ 400 mil, mas a avaliação aponta R$ 380 mil, por exemplo, o cálculo do crédito pode considerar os R$ 380 mil.
Nesse cenário, mesmo com uma cota de 90%, o financiamento seria de R$ 342 mil. A diferença entre o preço de compra e o crédito aprovado ficaria por conta do comprador.
Sistema de amortização
O sistema escolhido também influencia as condições da operação.
No SAC (Sistema de Amortização Constante), as parcelas começam mais altas e tendem a diminuir ao longo do tempo. Na Tabela Price, as prestações são calculadas de outra maneira e, em determinadas modalidades, o percentual máximo financiável pode ser diferente.
Por isso, comparar apenas a taxa de juros não é suficiente. É importante observar também o sistema de amortização e o custo total do contrato.
Quais imóveis podem ter financiamento de até 90%?
As condições variam conforme a linha de crédito e as características do imóvel.
No Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, existem regras específicas para imóveis novos e usados. Na modalidade Classe Média, determinadas operações para imóveis novos podem alcançar cota de 90% no sistema SAC.
Já para imóveis usados nas regiões Sul e Sudeste, essa modalidade possui uma regra diferente, com limite de 60%.
Por isso, o percentual disponível deve ser verificado de acordo com o imóvel escolhido, a localização e o enquadramento do comprador no programa.
O FGTS pode ajudar na entrada?
Para quem atende às regras de utilização, o FGTS pode ser utilizado em operações de financiamento imobiliário.
O recurso pode contribuir para a composição da entrada e também pode ser utilizado em outras etapas do financiamento, como amortização do saldo devedor.
Essa possibilidade pode reduzir a necessidade de utilizar recursos próprios na compra. Antes de contar com o saldo, porém, é importante confirmar se o comprador e o imóvel atendem aos requisitos vigentes.
Quais custos entram além da entrada?
Um erro comum no planejamento da compra é considerar apenas o valor necessário para a entrada.
Mesmo com uma cota elevada de financiamento, é importante reservar recursos para despesas como:
- ITBI;
- Registro do contrato;
- Avaliação do imóvel;
- Seguros vinculados ao financiamento;
- Condomínio e IPTU;
- Reforma, móveis ou personalização, quando necessários.
Também é preciso considerar os juros e demais encargos do crédito ao avaliar o custo total da aquisição.
Entrada menor é sempre melhor?
Não necessariamente.
Uma entrada menor permite preservar uma parcela maior do dinheiro disponível, o que pode ser interessante para manter uma reserva financeira ou direcionar recursos para outros objetivos.
Por outro lado, quanto maior o saldo financiado, maior tende a ser o custo do crédito ao longo do contrato.
A decisão, portanto, deve considerar o equilíbrio entre valor disponível para a entrada, tamanho das parcelas, prazo, custo total do financiamento e segurança do orçamento familiar.
Um exemplo prático
Imagine duas possibilidades para um imóvel de R$ 400 mil:
Cenário A — entrada de R$ 40 mil:
O comprador preserva mais recursos, mas assume um saldo financiado maior.
Cenário B — entrada de R$ 100 mil:
O financiamento é menor e o custo dos juros tende a ser reduzido, mas uma quantidade maior de dinheiro é utilizada imediatamente.
Nenhuma das alternativas é universalmente melhor. A escolha depende da situação financeira e dos objetivos de cada comprador.
O que avaliar antes de escolher o financiamento?
Antes de fechar negócio, vale fazer uma simulação e verificar:
- Valor máximo de crédito aprovado;
- Percentual que poderá ser financiado;
- Valor da entrada;
- Valor das parcelas;
- Prazo do contrato;
- Sistema de amortização;
- Custo efetivo total;
- Possibilidade de utilizar o FGTS;
- Despesas adicionais da compra.
Também é recomendável comparar diferentes instituições e modalidades. Uma condição aparentemente vantajosa pela taxa de juros pode ter um custo total diferente quando todos os encargos são considerados.
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